sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Escrita, descrita e despida

Nessas linhas estou escrita,
descrita,
despida.
As palavras se ordenam e dão sentido
a quem sou.
Dão-me um caminho, mas não me definem...
E como eu haveria de ser definida
se nem meus átomos o são?
E de repente eu perco o chão
que não se encontrava embaixo dos meus pés!
Que não sei em que lugar está (sequer)...
Nem se já esteve ou não.
E um dia um anjo negro
ou branco, não sei,
vem e me leva pelas mãos.
Vem e me rouba o chão,
que talvez nunca pisei.
Mas que não me leve aos céus,
que não seja tão cruel
e me faça pisar nas nuvens
com as quais um dia sonhei...
Acho que prefiro continuar sonhando,
e se piso e acaba o encanto?
para onde é que irei?

Um comentário:

  1. Impressionante como fui tomada por uma verosimilhança magnífica ao ler esse poema. Quase como se as palavras aqui se adaptassem, expressamente ao meu gosto, à medida que meus olhos passam por elas.

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